Em primeira entrevista, Eduardo Cunha diz estar pronto para falar e detona Moro

Eduardo Cunha foi o responsável pela abertura do processo de impeachment contra a ex-presidente Dilma Rousseff Eduardo Cunha foi o responsável pela abertura do processo de impeachment contra a ex-presidente Dilma Rousseff Foto: Gustavo Lima/Câmara dos Deputados

Ex-presidente da Câmara falou à imprensa pela primeira vez desde sua prisão, há quase um ano, por riscos "à ordem pública" e "de fuga ao exterior"


Com Agências e Época

 

O ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha (PMDB-RJ) afirma em sua primeira entrevista desde que foi preso que está pronto para revelar tudo o que sabe para a nova procuradora-geral, Raquel Dodge. Cunha ainda inocenta Michel Temer e critica o juiz Sérgio Moro, responsável pela Operação Lava Jata em Curitiba.

 

A entrevista de Eduardo Cunha foi publicada no site da revista “Época” na noite desta sexta-feira (29). Nela, o ex-presidente da Câmara garante ter provas, datas, fatos e testemunhas que comprovam tudo o que ele sabe. “Tenho histórias quilométricas para contar, desde que haja boa-fé na negociação.”

 

Cunha acredita que Rodrigo Janot, ex-procurador-geral, não queria a verdade, “só queria derrubar Michel Temer”, e, por isso, sua delação premiada não deu certo. “Tenho muito a contar, mas não vou admitir o que não fiz. Não recebi qualquer pagamento do Joesley para manter silêncio sobre qualquer coisa. Janot queria que eu colocasse mentiras na delação para derrubar o Michel Temer. Se vão derrubar ou não o Michel Temer, se ele fez algo de errado ou não, é outra história. Mas não vão me usar para confirmar algo que não fiz, para atender aos interesses políticos do Janot.”

 

O responsável pela abertura do processo de impeachment contra a ex-presidente Dilma Rousseff garante que Janot operou politicamente o processo de delações. Para ele, o ex-procurador geral viu em um possível afastamento de Temer a oportunidade de colocar Nicolao Dino, seu vice, como seu sucessor na PGR. “É nesse contexto que aparece aquela delação absurda da JBS.”

 

Delação JBS

Em delação premiada, o empresário Joesley Batista, do grupo J&F, divulgou gravação com suposto aval de Temer para compra do silêncio de Cunha . A informação polêmica foi duramente criticada pelo ex-presidente da Câmara, que nega ter recebido qualquer pagamento para manter silencio sobre qualquer assunto .

 

“O Joesley poupou muito o PT. Escondeu que nos reunimos, eu e Joesley, quatro horas com o Lula, na véspera do impeachment. O Lula estava tentando me convencer a parar o impeachment. Isso é só um pequeno exemplo. Eu traria muitos fatos que tornariam inviável a delação da JBS. Tenho conhecimento de omissões graves. Essa é uma das razões pelas quais minha delação não poderia sair com o Janot.”

 

Cunha afirma também que os objetivos políticos de Janot acabaram criando “uma trapalhada institucional”, que acabou culminando no áudio da JBS. “O que eu tenho para falar ia arrebentar a delação da JBS e ia debilitar a da Odebrecht. E agora posso acabar com a do Lúcio Funaro. ”

 

Prisão

Preso há quase um ano, Cunha considera a detenção como algo absurdo. “Não me prenderam de acordo com a lei, para investigar ou porque estivesse embaraçando os processos. Prenderam para ter um troféu político. O outro troféu é o Lula.”

 

O ex-presidente da Câmara fala em um “troféu” para cada lado, o Ministério Público” e o juiz Sérgio Moro, “um juiz que se acha salvador da pátria”, como criticou o próprio Eduardo Cunha. “Ele quis montar uma operação Mãos Limpas no Brasil – uma operação com objetivo político. Queria destruir o establishment, a elite política. E conseguiu.”

 

Avalie este item
(0 votos)

Mais notícias - Política

Cidades

    Política

      Tocantins

        Brasil

          Tocantins

            Opinião

              Topo